Como escolher o melhor regime de bens para o seu casamento: o que avaliar antes de decidir
- Juliana Bianchi

- 19 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de jan.
Neste artigo, você vai entender:
Escolher o regime de bens não é um detalhe do casamento. É a definição das regras patrimoniais do casal: o que será compartilhado, como os bens serão administrados e quais efeitos podem surgir em situações de separação ou falecimento.
A decisão fica mais simples quando o casal entende dois pontos:o patrimônio que cada um já possui e a forma como desejam organizar o que será construído durante a vida em comum.
1. Por que o regime de bens importa na vida prática do casal
O regime de bens define como os bens e certas responsabilidades patrimoniais serão tratados ao longo do relacionamento. Ele influencia:• administração do patrimônio durante a união• partilha em caso de separação• reflexos patrimoniais em caso de falecimento• previsibilidade e redução de conflitos.
Não existe “melhor regime” em abstrato. Existe o regime mais adequado para a realidade do casal.
2. O que muda em separação e falecimento
Em caso de separação, o regime define o que entra na partilha e em que medida.
Em caso de falecimento, o regime se conecta com conceitos como meação e herança, e pode afetar como o patrimônio será organizado no inventário. Por isso, a escolha não é só financeira: ela também tem impacto sucessório.
3. Regime de comunhão parcial de bens
É o regime mais comum. Nele, em regra:• bens adquiridos antes da união permanecem particulares• bens adquiridos durante a união são comunicáveis e podem ser partilhados conforme as regras aplicáveis
Esse regime costuma fazer sentido para casais que desejam compartilhar as conquistas construídas durante a vida em comum, sem misturar automaticamente o patrimônio anterior.
4. Regime de separação total de bens
Na separação total, em regra:• cada cônjuge mantém seu patrimônio separado• bens adquiridos antes e durante a união permanecem de titularidade individual, conforme a forma de aquisição e registro
Esse regime costuma ser considerado quando o casal deseja autonomia patrimonial mais clara, especialmente quando há patrimônio anterior relevante, atividade empresarial ou necessidade de organização mais individualizada.
5. Regime de comunhão universal de bens
Na comunhão universal, em regra:• há comunicação ampla do patrimônio, inclusive bens anteriores, com exceções legais
Esse regime pode fazer sentido quando o casal deseja uma comunhão patrimonial mais abrangente e tem clareza sobre as consequências práticas dessa escolha.
6. Regime de participação final nos aquestos
É um regime menos utilizado, mas válido. Em linhas gerais:• durante o casamento, o patrimônio tende a ser administrado de forma individual• na dissolução, apura-se o que foi adquirido onerosamente durante a união para definir a participação de cada um, conforme as regras do regime
É um regime que exige atenção técnica na escolha e na forma de organização documental.
7. Fatores para escolher com segurança
Algumas perguntas ajudam o casal a decidir com mais clareza:
• existe patrimônio anterior relevante de um dos dois
• há empresa, profissão de risco ou exposição a dívidas• haverá aquisição de imóveis, investimentos ou construção patrimonial conjunta
• há filhos de relações anteriores
• o casal prefere gestão conjunta ou autonomia patrimonial• quais são os objetivos de médio e longo prazo.
Decidir sem conversar sobre esses pontos costuma gerar ruído no futuro.
8. Erros comuns sobre regimes de bens
Alguns equívocos aparecem com frequência:
• achar que comunhão parcial significa “tudo é 50% sempre”
• imaginar que separação total elimina qualquer discussão patrimonial (o que nem sempre é simples na prática)
• escolher comunhão universal sem considerar o patrimônio anterior e suas consequências
• decidir “por padrão” sem entender que o regime afeta o casamento e o planejamento sucessório
9. Conclusão e contato
Escolher o regime de bens é uma decisão de organização. Ela evita inseguranças, reduz conflitos e traz previsibilidade para o casal.
No Juliana Bianchi Advocacia e Consultoria Jurídica, cada caso é analisado de forma individualizada, com atenção à realidade patrimonial do casal, aos objetivos de vida e aos reflexos jurídicos envolvidos.
Se você está prestes a casar ou formalizar união estável e quer escolher o regime de bens com clareza e segurança, estamos à disposição para orientar os próximos passos com técnica e responsabilidade.




Comentários