Planejamento Sucessório: Quando revisar o seu?
- Juliana Bianchi

- 26 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de jan.
Neste texto, você vai entender:
Planejamento sucessório não é um documento “para guardar na gaveta”. Ele funciona quando acompanha a vida real: família muda, patrimônio muda, imóveis são comprados e vendidos, empresas entram e saem da estrutura, e aquilo que fazia sentido há cinco anos pode ficar incompleto hoje.
O problema é que, quando o planejamento está desatualizado, ele tende a gerar exatamente o oposto do que deveria: insegurança, exigências cartorárias, dúvidas de interpretação e, em alguns casos, conflito entre herdeiros.
Neste texto, você vai entender quando revisar seu planejamento sucessório, quais sinais indicam que ele precisa de ajustes e como conduzir essa revisão com segurança e previsibilidade.
Cada situação depende do caso concreto, do patrimônio, da estrutura familiar e dos instrumentos já utilizados.
1. O que é a revisão do planejamento sucessório
Revisar o planejamento sucessório é avaliar se os instrumentos que você adotou em vida continuam:
válidos e coerentes com sua realidade atual
compatíveis com a composição familiar
tecnicamente adequados para o patrimônio existente
executáveis na prática, sem travas documentais
Na prática, revisar significa checar se o que foi planejado ainda “se sustenta” quando for necessário executar.
2. Por que revisar é importante
A revisão é importante porque o planejamento sucessório costuma depender de:
documentos consistentes (especialmente em imóveis)
regras claras sobre destino de bens e administração
instrumentos que precisam estar atualizados para não gerar dúvidas
Sem revisão, é comum acontecer:
testamento que não conversa com o patrimônio atual
doações que não foram registradas corretamente
imóveis com matrícula desatualizada que travam medidas patrimoniais
cláusulas que hoje geram restrições desnecessárias ou conflitos
estruturas societárias que perderam sentido com o tempo
Revisar evita que um planejamento bem-intencionado vire retrabalho futuro.
3. Sinais de que seu planejamento precisa ser atualizado
A revisão costuma ser indicada sempre que ocorrer:
Mudanças familiares
casamento, separação, divórcio ou viuvez
nascimento de filhos ou novos herdeiros
falecimento de beneficiário
mudança relevante na dinâmica familiar
Mudanças patrimoniais
compra ou venda de imóveis
aquisição de novo imóvel no nome de pessoa física ou jurídica
herança recebida
mudança relevante de investimentos ou de patrimônio
Mudanças de estrutura
criação, alteração ou encerramento de empresa
mudança em participações societárias
reorganização de bens entre pessoas físicas e jurídicas
adoção de instrumentos como doação com usufruto, reversão ou restrições
Mudanças práticas que costumam passar despercebidas
imóvel com pendência registral ou matrícula desatualizada
mudança de domicílio entre estados, com regras fiscais diferentes
instrumentos antigos que não foram formalizados do início ao fim (por exemplo, doação feita por escritura, mas sem registro)
4. O que revisar, na prática
Aqui está o que normalmente faz diferença na revisão.
Imóveis
matrícula atualizada e compatível com a realidade
averbações essenciais e coerência de área/descrição
regularidade documental para permitir venda, doação, partilha e inventário
compatibilidade entre o que está no papel e o que foi planejado
Doações
se houve registro no cartório competente, quando necessário
se as cláusulas (usufruto, reversão, restrições) ainda fazem sentido
se a doação foi estruturada como adiantamento de herança ou não e se isso está claro
Testamento
se os beneficiários continuam os mesmos e se a estrutura familiar mudou
se o testamento conversa com o patrimônio atual
se as disposições são executáveis sem gerar dúvida ou conflito
se há necessidade de revogação parcial ou substituição por novo documento
Estruturas societárias e holding
se a estrutura ainda tem objetivo real de governança e gestão
se os custos e a rotina da holding fazem sentido hoje
se existem regras internas suficientes para evitar conflito entre familiares
se a participação societária e a administração estão alinhadas com o que você deseja
5. Como funciona na prática (passo a passo)
Levantar quais instrumentos existem hoje (testamento, doações, contratos, estrutura societária)
Atualizar o inventário patrimonial (lista de bens, imóveis, empresas, dívidas relevantes)
Revisar composição familiar e objetivos atuais
Checar documentação crítica, especialmente matrícula e registros de imóveis
Ajustar instrumentos que perderam aderência à realidade
Formalizar as alterações corretamente (novo testamento, nova escritura, aditivos, reorganização societária, conforme o caso)
Estabelecer rotina de revisão periódica
6. Dúvidas comuns
Existe um prazo fixo para revisar? Não existe um prazo obrigatório, mas a revisão é recomendável quando há mudanças relevantes. Como prática de prudência, muitas famílias revisam a cada alguns anos ou após eventos importantes.
Se eu já tenho testamento, preciso revisar mesmo assim? Sim, principalmente se houve mudança de patrimônio, herdeiros, estado civil ou se o testamento ficou genérico demais para o cenário atual.
Doação antiga pode gerar problema depois? Pode, especialmente se não houve registro, se não ficou claro se é adiantamento de herança ou se as cláusulas não são mais adequadas.
Holding precisa de revisão? Sim. Holding é estrutura viva: patrimônio entra e sai, regras precisam acompanhar, e o custo de manutenção precisa se justificar.
7. Conclusão e orientação final
Revisar o planejamento sucessório é garantir que ele continue claro, válido e executável quando for necessário. A vida muda, e o planejamento precisa acompanhar essas mudanças para preservar previsibilidade e reduzir risco de conflito.
Não existe solução única. A análise individual evita instrumentos desatualizados, cláusulas que perderam sentido e pendências documentais que travam a execução do planejamento.
Se você estruturou seu planejamento há alguns anos ou passou por mudanças relevantes, alguns pontos costumam fazer diferença antes de qualquer decisão:
se seus imóveis estão regularizados e com matrícula atualizada
se doações e registros foram concluídos corretamente
se o testamento ainda reflete sua estrutura familiar e patrimonial
se uma eventual holding continua fazendo sentido e está bem governada
No Juliana Bianchi Advocacia e Consultoria Jurídica, a orientação é personalizada, considerando patrimônio, estrutura familiar e instrumentos já adotados, para que o planejamento permaneça seguro, coerente e executável.
Se você deseja uma avaliação jurídica do seu cenário, a recomendação é reunir a lista de bens, documentos principais de imóveis, instrumentos existentes (testamento, doações, contratos) e mudanças recentes da família, para que a análise seja objetiva e completa




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