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Divisão de bens financiados no divórcio: imóvel, carro, dívidas e o que fazer na prática

  • Foto do escritor: Juliana Bianchi
    Juliana Bianchi
  • 27 de mai. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de jan.

Neste texto, você vai entender:


Em muitos divórcios, o ponto mais sensível não é “quem fica com o bem”, mas quem fica com a dívida. Isso acontece especialmente com imóvel financiado, carro financiado e compras relevantes parceladas, porque o casal se separa, mas o contrato com o banco continua existindo.


O problema é que a solução intuitiva nem sempre é possível: a pessoa pode querer ficar com o imóvel, mas não consegue assumir o financiamento sozinha, ou o imóvel ainda não está quitado e não pode ser transferido de forma simples. Sem um acordo técnico, a partilha vira disputa e o risco financeiro aumenta.


Neste texto, você vai entender como funciona a divisão de bens financiados no divórcio, quais fatores definem a partilha e quais caminhos costumam ser usados na prática para chegar a uma solução viável.


Cada situação depende do caso concreto, do regime de bens, do tipo de contrato de financiamento e do histórico de pagamentos.


1. Como a partilha funciona quando existe financiamento


Quando há financiamento, normalmente existem duas camadas a organizar:


  • o bem (imóvel, veículo, etc.)

  • a obrigação (parcelas vincendas, saldo devedor, garantias e contrato com o banco)


Na prática, a discussão costuma girar em torno de:


  • quando o bem foi adquirido

  • quem pagou as parcelas e em que período

  • se houve entrada com patrimônio particular

  • se o financiamento está no nome de um ou dos dois

  • qual regime de bens rege o casamento


2. Bens comuns x bens particulares


Antes de falar de financiamento, o primeiro filtro é: o bem é comum ou particular?


  • Bens comuns: em regra, são os adquiridos onerosamente durante o casamento/convivência (a depender do regime).

  • Bens particulares: em regra, são os adquiridos antes do casamento, e bens recebidos por herança/doação, conforme o caso.


Esse enquadramento define se haverá partilha do bem, e também influencia como tratar valores pagos durante o casamento.


3. Regime de bens e foco na comunhão parcial


Na comunhão parcial, em regra:


  • o que foi adquirido durante o casamento tende a integrar o patrimônio comum

  • o que cada um tinha antes tende a permanecer particular

  • e a prova sobre origem de recursos pode ser decisiva quando há entrada alta ou pagamentos mistos


Em bens financiados, a comunhão parcial costuma gerar estas perguntas práticas:


  • as parcelas foram pagas durante o casamento?

  • houve pagamento após separação de fato?

  • a entrada veio de bem particular comprovável?

  • há comprovação documental dos pagamentos?


4. Quando é simples e quando exige cautela


A divisão tende a ser mais simples quando:

✅ o casal concorda sobre quem ficará com o bem

✅ há clareza sobre valores pagos e saldo devedor

✅ o banco permite a alteração contratual ou a solução escolhida é viável

✅ o bem pode ser vendido sem travas


Exige cautela quando:

⚠️ o financiamento está no nome de um só e o outro quer reconhecimento de direito

⚠️ não há registro claro dos pagamentos (ou houve pagamentos “misturados”)

⚠️ o imóvel ainda está em construção ou com alienação fiduciária complexa

⚠️ a separação de fato ocorreu há muito tempo e houve pagamentos posteriores

⚠️ existe inadimplência, renegociação ou risco de perda do bem


5. Tipos de bens financiados e soluções mais usadas na prática


Imóvel financiado - Caminhos comuns:


  • venda do imóvel e quitação do saldo, com divisão do que sobrar (conforme o caso)

  • um fica com o imóvel e compensa o outro, desde que seja viável assumir o contrato ou ajustar formalmente

  • manter temporariamente e definir regras objetivas de uso e pagamento até a solução final (exige cuidado)


Veículo financiado - Caminhos comuns:


  • um fica com o veículo e assume o financiamento, com compensação, se fizer sentido

  • venda do veículo para quitar e encerrar obrigação, quando viável


Bens móveis financiados (móveis/eletros relevantes) - Geralmente, a solução passa por:


  • atribuir o bem a um e compensar o outro

  • ou tratar como parte do ajuste patrimonial geral, para evitar disputa de baixo impacto


6. Documentos e provas mais comuns


☐ certidão de casamento e regime de bens (ou pacto antenupcial, se houver)

☐ contrato de financiamento e demonstrativo de saldo devedor☐ comprovantes de pagamento das parcelas (extratos)

☐ documentos do bem (matrícula/registro, DUT/CRLV, etc.)

☐ comprovante de entrada e origem dos recursos, se houver discussão

☐ prova de data da separação de fato, quando relevante (conforme o caso)


Quanto mais claro o histórico de pagamentos, mais previsível tende a ser a solução.


7) Como funciona na prática (passo a passo)


  1. Mapear bens e dívidas do casal (incluindo financiamentos)

  2. Identificar regime de bens e datas relevantes (aquisição e separação de fato)

  3. Levantar saldo devedor e histórico de pagamentos

  4. Definir cenários possíveis: venda, assunção, compensação, manutenção temporária

  5. Checar viabilidade com instituição financeira quando necessário

  6. Formalizar o acordo com cláusulas claras sobre uso, pagamento, responsabilidade e prazos

  7. Executar a solução: transferência, quitação, registro e ajustes finais


8) Dúvidas comuns


“Se o financiamento está no nome de um só, o outro tem direito?” Pode ter, dependendo do regime de bens e do período em que as parcelas foram pagas. A análise é documental e depende do caso.


“Quem sai de casa ainda precisa pagar o financiamento?” Depende do acordo, do uso do bem e da distribuição de responsabilidades. Isso precisa ser formalizado para evitar conflito.


“Dá para transferir o financiamento?” Depende das regras do banco e da capacidade de crédito de quem vai assumir.


“E se o bem ainda não está quitado?” Isso é comum. A solução pode envolver venda, compensação e ajustes, mas sempre com atenção ao contrato e à garantia.


9. Conclusão e orientação final


A divisão de bens financiados no divórcio exige olhar para o bem e para a dívida ao mesmo tempo. Quando o casal decide com método, reduz risco financeiro e evita que a separação vire um problema prolongado.


Não existe solução única ou automática. A análise individual evita acordos inviáveis, pagamentos desorganizados e discussões futuras sobre quem pagou o quê e em qual período.


Se você está se divorciando e existe imóvel ou veículo financiado, alguns pontos costumam fazer diferença antes de qualquer decisão:


  • qual é o regime de bens e quando o bem foi adquirido

  • qual é o saldo devedor e quem vem pagando as parcelas

  • se houve entrada com recursos particulares e como isso está comprovado

  • se a instituição financeira permite a solução escolhida (assunção, transferência, quitação)

  • como formalizar regras claras de responsabilidade até o encerramento


No Juliana Bianchi Advocacia e Consultoria Jurídica, a orientação é personalizada, considerando o patrimônio, o regime de bens e o histórico de pagamentos, para que as decisões sejam tomadas com segurança e previsibilidade.


Se você deseja uma avaliação jurídica do seu cenário, a recomendação é reunir contrato do financiamento, comprovantes de pagamento, documentos do bem e uma linha do tempo da relação (aquisição e separação de fato), para que a análise seja objetiva e completa.



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